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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

JI-PARANÁ: Avó celebra volta para casa da única sobrevivente de colisão que matou família: 'chorei muito'

Karoline de 8 anos de idade, sobreviveu ao acidente que matou toda a família em Ji-Paraná. Depois de passar dias na UTI, menina se recupera no novo lar.

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Neta voltou para casa da avó há poucos dias, em Ji-Paraná (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

 

Quase dois meses depois do acidente que matou três pessoas da mesma família em Ji-Paraná (RO), na Região Central, o G1 foi até a casa da avó da única sobrevivente da tragédia: Karoline Paulino, de 8 anos. Em entrevista, dona Madalena Paulino relembra a dor de ter perdido a filha, neto e genro, tudo no mesmo dia, e também a volta para casa com a neta. "Chorei muito", diz.

 

 


O acidente aconteceu às margens na RO-133, no dia 8 de outubro. A família estava em um carro, junto com um casal de amigos, e chegavam a uma chácara.

 

 


Já fora da rodovia, ele esperavam o proprietário do local abrir a porteira, mas foram atingidos em cheio por outro veículo. Quatro pessoas morreram na colisão. A filha, Adriana Paulino, e a neta Karoline Paulino, de 8 anos, foram socorridas. Porém, Adriana morreu na sala de cirurgia.

 

 


Por causa da batida forte, a menina passou dias entre a Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) e a enfermaria, foi submetida a duas cirurgias e recebeu alta há poucos dias. Na época, Karoline passou por uma cirurgia de retirada do baço e foi encaminhada para Porto Velho.

 

 

 


Ao G1, dona Madalena relembra como foi ver a neta naquela situação. “Ela chegou toda torcida no hospital com o corpinho todo torcido. Tinha caco de vidro em várias partes no pescoço e na cabecinha dela. Os médicos disseram que ela não voltaria a andar. Quando ela saiu daqui eu fiquei meia triste, pois eles não me deixaram vê-la e nem minha filha”, relembra.

 

 


Na capital, Karoline ficou na UTI por vários dias, precisou retirar um liquido que invadiu o pulmão e fez uma cirurgia no tendão do calcanhar direito, que havia se rompido. Duas outras cirurgias seriam feitas, uma na bacia que estava quebrada e outra na uretra, mas os médicos descartaram a cirurgia na bacia.

 

 

 


"Eu acho que eles preferiram deixar que colasse sozinho, pois que ela está crescendo e se colocasse uma platina não ia acompanhar o crescimento dela. Mas, no início de dezembro, a gente volta a Porto Velho para fazer rever a uretra e confirmar se tem que fazer a cirurgia", explica a avó.

 

 


Noticia da morte dos pais

 


Madalena conta que a neta recebeu acompanhamento psicológico durante todo o processo médico. A avó contou ainda que foi ela quem precisou dar a notícia da morte dos pais.

 

 


"Eu sempre orava com ela, pela recuperação dela, mas, ela foi percebendo que eu não estava orando pelos pais dela e nem pelo irmãozinho. Então, ela me pediu para que eu contasse a verdade, pois ela sabia que não estava tudo bem com eles. E eu tive que contar. Choramos muito", relembra a avó emocionada.

 

 


Dias na UTI e a volta para casa

 


A avó da menina foi para Porto Velho dias depois do acidente, pois precisava resolver tramites do enterro e documentação da filha e do neto.

 

 


Uma tia da menina a acompanhou durante todo o processo. Como em qualquer outra UTI, nenhum acompanhante podia ficar com Karoline. Porém, a avó conta que o relato da menina é que ela nunca esteve só.

 

 

 

 

"Eu fiquei feliz quando ela me disse que em nenhum momento esteve sozinha, enquanto na UTI não pode ficar ninguém. Aí eu pude ver que Deus estava cuidando dela para mim", acredita a avó.

 

 

 


Volta para casa

 


Dona Madalena conta que quando chegou em casa com a neta, ela sentia muitas dores por causa da viagem longa de carro de Porto Velho até Ji-Paraná. Na residência, a primeira coisa a menina pediu foi para se deitar.

 

 


“Eu chorei muito quando eu vi que ela estava sentindo tantas dores. Mas isso foi só no primeiro dia”, conta a avó.

 

 


Karoline

 


Com um sorriso grande, Karoline afirma estar muito feliz por ter voltado para casa e estar com a avó. Mesmo tendo gostado muito da maneira que foi cuidada enquanto esteve no hospital, ela afirma que a recuperação em casa parece estar sendo bem mais rápida.

 

 


“Minha recuperação foi bem mais rápida depois que vim para casa. Eu acho que é meu anjo que está me ajudando”, acredita a menina.

 

 


Fugindo de todas as expectativas médicas, cerca de 30 dias depois do acidente, Karoline ficou em pé e deu os primeiros passos. Dona Madalena relembra que levou um susto ao ver a neta em pé no meio da sala.

 

 

 

 

“Ela estava sentada no sofá e ela me chamou. Quando cheguei, ela estava no meio da sala em pé. Eu disse: minha filha, você pode cair e se machucar de novo. E ela me respondeu: vovó, você esqueceu que o Brasil inteiro está em oração por mim?”, conta emocionada a avó.

 

 


Depois deste dia, o uso da cadeira de rodas se tornou cada vez mais esporádicos, apenas para distâncias mais longas. E a Karoline já está até mesmo brincando de pique esconde com as primas e as amigas.

 

 


“Elas contam um pouco mais devagar e eu me escondo atrás do carro ou dentro de casa. Quando vou correr, eu corro mais devagar também”, conta a menina.

 

 


Alívios em meio à dor

 

 


O motorista do outro veículo que, segundo laudo médico estaria alcoolizado, também foi socorrido e encaminhado ao hospital municipal. Ainda na unidadel, na mesma noite do acidente, ele recebeu voz de prisão por cinco homicídios dolosos, quando se assume o risco de matar.

 

 

 


“Saber que ele está preso não diminui a minha dor, mas, me alivia saber que ele não coloca em risco a vida de mais ninguém”, afirma a avó.

Fonte: Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central
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